terça-feira, 23 de julho de 2013

A fórmula do acaso.


O ser humano se forma de projeções.

 Não almejar algo diferente do que se tem ou sabe pode reduzir uma vida á uma mera sobrevivência. Por assim dizer, o sonho é algo que configura o homem á sua própria essência significativa.
O tempo é contínuo, e o primeiro parágrafo já faz parte do passado. A vida é um ciclo, tendo assim um caráter evolutivo. Que sentido haveria então, numa estagnação? A mudança se faz necessária ao homem assim como a claridade da Lua á noite. E o sonho é o que dá sentido ás mudanças.
Sair de casa e observar o movimento da rua, perceber um gesto de gentileza entre duas pessoas que dizem bom dia uma para a outra. Chegar em casa e ver como um animal de estimação espera pela chegada de seu dono sempre no mesmo horário, fielmente. Ter certeza que como você faz hoje o seu trabalho não precisa ser sempre da mesma forma,  e como você pensa  hoje não precisa continuar igual. Enxergar o novo se faz nos detalhes, em se permitir mudança e minimizar o próprio ego á sua razão.

Quando sempre se  projeta e busca, onde estaria o acaso?
 O acaso estaria nas entrelinhas do presente, como resultado das ações a partir de agora, como proteção enquanto se anda distraído e nos faz pensar que o que aconteceu não segue uma lógica, nem uma probabilidade.

Assim, mesmo quando o céu noturno não estiver estrelado, o inusitado mudará as direções da caminhada e poderá indicar um novo sonho e um novo sentido para o próximo dia.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Caça ao tesouro.


"(...) e a primeira parcela é só para o ano que vem."

Basta ligar a TV ou mesmo sair de casa para afirmarmos : é, estamos chegando ao fim de mais um ano novamente, mas já ? Já podemos ver promoções de panettones, piscas-pisca nos telhados das casas e  na copa das árvores.

O anúncio inspirador de final e um novo começo, então, está por todos os lados.
Se essa sensação anual de final de ano, parece chegar cada vez mais rapidamente, o que estamos fazendo com esse tempo, que parece acelerar o ritmo de seu tic-tac?

Afinal, o ciclo é sempre o mesmo, a Terra completa sua volta em torno do Sol em 365 dias e 6 horas, salvo anos bissextos.

Na infância, normalmente, a falta de tempo não é uma grande preocupação, pois sempre deve sobrar um tempo para se fazer um desenho, brincar ou mesmo observar o movimento das nuvens no céu. Mas, ao chegarmos na fase adulta e participarmos da lógica capitalista e comercial, preenchemos cada período do dia com algum afazer que prometa nos levar ao sucesso profissional, pessoal ou ainda ambos.

Quando nos damos conta, é estabelecida uma rotina que pode nos colocar como  coadjuvantes de nossa própria vida : temos muitos compromissos, não podemos fazer o que queremos e sim o que precisamos para o sustento do alcance de um objetivo. Nem reparamos mais no movimento das nuvens.

A verdade é que o ser humano é um grande caçador de tesouros e, assim que encontra-o, deseja um outro. É a vontade nosso grande motivador e nosso grande mal, como já afirmava o filósofo alemão Shopenhauer, que coloca nesse sentimento o motivo de cada frustração. No entanto, a vontade realmente motiva e é necessária, mas só o equilíbrio sempre satisfaz.

 Porém, o significado do que é um tesouro varia para cada pessoa.

Algo realmente valioso pode ser a sua promoção no emprego, o diploma ou até mesmo a aquisição de algum "sonho de consumo". E sim,posso afirmar que essas são conquistas importantes. Mas, e enquanto esse dia em que o sonho é realizado não chega, a felicidade será projetada no futuro apenas?

A felicidade precisa ser absoluta e sua essência está em sua própria vida, no poder que o presente abriga no agora, de mudança a qualquer hora, para enxergarmos a valorização deste momento. 
Estamos na caminhada, e se ela não valer a pena, que valor terá a chegada ao pote de ouro? 

É preciso valorizar cada sorriso espontâneo que damos numa conversa na hora do almoço com os amigos,
É preciso valorizar cada abraço,
Cada forma de amor, cada lembrança boa e cada momento feliz.


Só assim, quando a Terra completar sua volta em torno do Sol, tudo terá valido á pena.

Não se esqueça: Há tesouros escondidos em lugares onde ainda podemos não ter procurado.

Feliz Ano Novo (:




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A diferença da fronteira.

"Paradoxo da fronteira: criados por contatos, os pontos de diferenciação entre dois corpos
são também pontos comuns(...) A quem pertence a fronteira?"(CERTEAU,1994, p.213).

Ao longo da história, em especial do desenvolvimento da ciência, a diferença entre conceitos e teorias foi o que sempre motivou contemporâneos a, continuamente, questionarem o que foi publicado anteriormente como teoria, fazendo com que o conhecimento global fosse sempre guiado pelas perguntas e pelo questionamento.

Isso mostrou claramente fronteiras ideológicas, e resultou em diversos seguimentos do conhecimento, formados por grupos que contrastavam em idéias.


Lamark e Charles Darwin são exemplos de fronteiras ideológicas contrastantes : ambos teorizavam a evolução das espécies, mas enquanto Lamark colocava o ambiente como influente ativo e principal na modificação dos organismos, Darwin teorizava que o ambiente apenas selecionava naturalmente as variações mais favoráveis.

Logo, a teoria darwiniana se tornou um símbolo da evolução das espécies e, no entanto, a comunidade científica continua o questionamento da mesma, formando-se seguimentos neo-darwinistas, entre outros tantos.

Mas existem também muitas outras fronteiras.


Sócio-econômicas, políticas ou ideológicas, por exemplo. 

Contudo, é a fronteira ideológica que movimenta todas as outras áreas limítrofes.
A partir dela, cria-se conhecimento, que rege toda a sociedade em que vivemos, formando cidadãos que influenciam as pessoas ao seu redor e deles todos, originam-se também os políticos que farão as leis e governarão a cidade/estado/país, bem como cidadãos eleitores de diversas classes econômicas.

É possível ver o conhecimento sendo feito a cada passo que damos, num dia comum, assim que vemos duas ou mais pessoas debatendo sobre algum assunto, cada uma com suas diferentes idéias, questionando e construindo através do ponto comum que todas as fronteiras possuem: A diferença. Tendo em vista que todos , como seres sociais, se relacionam, influenciam e são influenciados uns pelos outros, podemos dizer que somos feitos pela própria fronteira.


As fronteiras devem pertencer então, ao comum e ao diferente, que juntos, fazem parte de nós e guiam, através de perguntas ( e não respostas apenas) a evolução de nossa espécie.


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