segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Caça ao tesouro.


"(...) e a primeira parcela é só para o ano que vem."

Basta ligar a TV ou mesmo sair de casa para afirmarmos : é, estamos chegando ao fim de mais um ano novamente, mas já ? Já podemos ver promoções de panettones, piscas-pisca nos telhados das casas e  na copa das árvores.

O anúncio inspirador de final e um novo começo, então, está por todos os lados.
Se essa sensação anual de final de ano, parece chegar cada vez mais rapidamente, o que estamos fazendo com esse tempo, que parece acelerar o ritmo de seu tic-tac?

Afinal, o ciclo é sempre o mesmo, a Terra completa sua volta em torno do Sol em 365 dias e 6 horas, salvo anos bissextos.

Na infância, normalmente, a falta de tempo não é uma grande preocupação, pois sempre deve sobrar um tempo para se fazer um desenho, brincar ou mesmo observar o movimento das nuvens no céu. Mas, ao chegarmos na fase adulta e participarmos da lógica capitalista e comercial, preenchemos cada período do dia com algum afazer que prometa nos levar ao sucesso profissional, pessoal ou ainda ambos.

Quando nos damos conta, é estabelecida uma rotina que pode nos colocar como  coadjuvantes de nossa própria vida : temos muitos compromissos, não podemos fazer o que queremos e sim o que precisamos para o sustento do alcance de um objetivo. Nem reparamos mais no movimento das nuvens.

A verdade é que o ser humano é um grande caçador de tesouros e, assim que encontra-o, deseja um outro. É a vontade nosso grande motivador e nosso grande mal, como já afirmava o filósofo alemão Shopenhauer, que coloca nesse sentimento o motivo de cada frustração. No entanto, a vontade realmente motiva e é necessária, mas só o equilíbrio sempre satisfaz.

 Porém, o significado do que é um tesouro varia para cada pessoa.

Algo realmente valioso pode ser a sua promoção no emprego, o diploma ou até mesmo a aquisição de algum "sonho de consumo". E sim,posso afirmar que essas são conquistas importantes. Mas, e enquanto esse dia em que o sonho é realizado não chega, a felicidade será projetada no futuro apenas?

A felicidade precisa ser absoluta e sua essência está em sua própria vida, no poder que o presente abriga no agora, de mudança a qualquer hora, para enxergarmos a valorização deste momento. 
Estamos na caminhada, e se ela não valer a pena, que valor terá a chegada ao pote de ouro? 

É preciso valorizar cada sorriso espontâneo que damos numa conversa na hora do almoço com os amigos,
É preciso valorizar cada abraço,
Cada forma de amor, cada lembrança boa e cada momento feliz.


Só assim, quando a Terra completar sua volta em torno do Sol, tudo terá valido á pena.

Não se esqueça: Há tesouros escondidos em lugares onde ainda podemos não ter procurado.

Feliz Ano Novo (:




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A diferença da fronteira.

"Paradoxo da fronteira: criados por contatos, os pontos de diferenciação entre dois corpos
são também pontos comuns(...) A quem pertence a fronteira?"(CERTEAU,1994, p.213).

Ao longo da história, em especial do desenvolvimento da ciência, a diferença entre conceitos e teorias foi o que sempre motivou contemporâneos a, continuamente, questionarem o que foi publicado anteriormente como teoria, fazendo com que o conhecimento global fosse sempre guiado pelas perguntas e pelo questionamento.

Isso mostrou claramente fronteiras ideológicas, e resultou em diversos seguimentos do conhecimento, formados por grupos que contrastavam em idéias.


Lamark e Charles Darwin são exemplos de fronteiras ideológicas contrastantes : ambos teorizavam a evolução das espécies, mas enquanto Lamark colocava o ambiente como influente ativo e principal na modificação dos organismos, Darwin teorizava que o ambiente apenas selecionava naturalmente as variações mais favoráveis.

Logo, a teoria darwiniana se tornou um símbolo da evolução das espécies e, no entanto, a comunidade científica continua o questionamento da mesma, formando-se seguimentos neo-darwinistas, entre outros tantos.

Mas existem também muitas outras fronteiras.


Sócio-econômicas, políticas ou ideológicas, por exemplo. 

Contudo, é a fronteira ideológica que movimenta todas as outras áreas limítrofes.
A partir dela, cria-se conhecimento, que rege toda a sociedade em que vivemos, formando cidadãos que influenciam as pessoas ao seu redor e deles todos, originam-se também os políticos que farão as leis e governarão a cidade/estado/país, bem como cidadãos eleitores de diversas classes econômicas.

É possível ver o conhecimento sendo feito a cada passo que damos, num dia comum, assim que vemos duas ou mais pessoas debatendo sobre algum assunto, cada uma com suas diferentes idéias, questionando e construindo através do ponto comum que todas as fronteiras possuem: A diferença. Tendo em vista que todos , como seres sociais, se relacionam, influenciam e são influenciados uns pelos outros, podemos dizer que somos feitos pela própria fronteira.


As fronteiras devem pertencer então, ao comum e ao diferente, que juntos, fazem parte de nós e guiam, através de perguntas ( e não respostas apenas) a evolução de nossa espécie.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Correntes invisíveis.



Acreditar: Dar crédito a ; crer.
Com poucas palavras, o dicionário define o verbo. Mas em qual intensidade ele é aplicado na vida? 
Acreditar surte efeito na concretização de um objetivo ?


Os elefantes de circo são , quando pequenos, presos pela pata por uma corrente amarrada numa pequena estaca de madeira. O elefantinho, por mais força que fizesse jamais conseguiria se soltar. Acontece que , ao crescerem, eles continuam presos pela mesma corrente na pequena estaca e, por mais arquitetada que seja a amarração, é evidente a capacidade que o elefante tem, agora, de se soltar rapidamente.
No entanto, ele já associou que não pode mais se soltar daquilo, pois quando pequeno era algo impossível.
Podemos usar essa analogia para as diversas vezes em que limitamos nossa capacidade sem mesmo tentar por etiquetarmos tal ação como algo impossível.
Mas o impossível só se torna real na falta de crença, e quando estamos acorrentados por um estaca que só precisa de um passo para ser arrancada do preconceito de impossibilidade : a  mudança . E o improvável pode ser , muitas vezes, uma ilusão.


Paralelamente ás dificuldades diárias, relacionado aos limites e personalidades de cada pessoa na vida adulta, o pai da psicanálise - Freud - expunha  a peça que liga o presente ao passado quando dizia que a configuração de cada pessoa na vida adulta é resultado de como foi a infância.


É comum notar as etiquetas que muitas vezes, e mesmo sem tal intensão, os pais colocam nos filhos, como por exemplo - esse é mais tímido, mas o irmão é muito mais extrovertido! Estas faziam com que a própria criança não agisse de uma maneira diferente por acreditar que era dessa forma e não poderia agir de um jeito oposto.
Esse processo se reafirma nas escolas, entre os colegas e em toda a fase de formação do indivíduo e sua identidade. Dessa forma pode-se concluir : a crença das crianças é muito forte pois, bastava um comentário e a mesma agia de acordo com ele e se tornava como ele descrevia.


Contudo, este é o problema da corrente psicológica que limita, mas é , ao mesmo tempo, a chave para uma libertação.
Não seria então possível tentar, mesmo que minimamente, resgatar essa força no acreditar das crianças e crer que podemos fazer tudo diferente? 
Sim, o acreditar pode ajudar e muito na concretização de um objetivo, e até mesmo de um sonho, basta saber usá-lo na dosagem certa.


Mas não se esqueça:  para que o elefante se solte da corrente, é preciso , além de acreditar, agir.


(Érica Rodrigues)
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